Pop Art 2.0
Jun 12th, 2008 by Vitor Magalhaes
Apesar de todo o Hype à volta do “Social Media”, não considero que a parte relevante deste “momento 2.0″ seja marcado pelo “Social Networking”.
O MySpace foi recentemente lançado em Portugal (ou será apenas… em Português?) com direito a festa no Lux e várias iniciativas promocionais, o Facebook tem tido por cá aquilo a que chamo de “efeito TiVo” (ambos marcaram um momento “lá fora”, sem nunca o serem terem tido “cá dentro”), outras redes aconteceram; o Hi5 aconteceu, principalmente para as gerações mais novas (este comentário faz-me sentir “velho”), o LinkedIN aconteceu na vertente profissional; em versão local, temos o TheStarTracker; o Twitter, apesar de agregar uma pequena grande minoria lusa; mais recentemente, o efeito plurk; o meu preferido, o FriendFeed; e podia continuar a enumerar exemplos que surgem quase diariamente.
Aquilo que marca de forma efectiva este momento é, e será cada vez mais, a saída do Browser para outras interfaces (o Last.FM e Twitter, com os seus “n” clientes, são bons exemplos), o RSS e a agregação de conteúdos e os “Mashups”, onde a agregação de conteúdos é levada mais longe.
E os “Mashups” começam a estar em todo o lado e em diferentes formatos. Se por um lado temos formatos básicos e funcionais como sites/blogues agregadores, a recente moda das Widgets ou os brutais Yahoo Pipes, temos muitos outros formatos de “mashups” (como o vídeo dos Weezer, no post anterior).
Veja-se o nascer de um novo formato na música: as VideoSongs. As videosongs permitem estender o conceito da música gravada no quarto com o velhinho gravador de pistas analógico (alguém se lembra? Alguém perdeu horas a misturar guitarras com teclas básicas?) e fazer o mesmo mas… com vídeo. E depois, publicar no YouTube. No MetaCafe. No whatever-vídeo-site-que-muita-gente-vê.
Se olharmos para todo o movimento inicial da Pop Art, esta nova era de “mashups” não é muito diferente das colagens de um “Just What Is It That Makes Today’s Homes So Different, So Appealing? “, ou das polaroids de Andy Warhol. Estas novas “colagens” que o 2.0 nos trás, e todas as formas de agregação, não são muito diferentes das utilizadas nas diferentes abordagens da Pop Art. Apenas continuamos presos a estereótipos estéticos que não nos deixam ver as novas formas de media que hoje se fundem na sua componente estética e funcional.
Olhando para trás e revendo o ensaio de Lawrence Alloway “The Arts and the Mass Media” que muitos acreditam ter dado origem ao termo Pop Art, não é difícil extrapolar novas “Arts” e novos “Media” e uma nova Pop Art… em versão 2.0. Uma nova Pop Art que como na primeira versão tem tudo a ver com “Mass Media”, “Mass Market”. Mais importante… tem tudo a ver com todos nós, os participantes neste “momento 2.0″.


