Utilização da Internet por adolescentes… recomenda-se!
Nov 27th, 2008 by Vitor Magalhaes
A forma como os adolescentes de hoje utiliza a Internet está a transformar os processos de aprendizagem de um modo que a maior parte dos adultos, muitos ligados ao ensino e ao sistema educativo, não percebem.É esta a conclusão a que chegaram 28 investigadores da Universidade da Califórnia, Berkeley e a Fundação MacArthur, ao longo de 3 anos, depois de terem entrevistado mais de 800 adolescentes e respectivos pais, um-a-um e em focus groups, e depois de terem observado mais de 5000 horas destes adolescentes em sites como MySpace, Facebook, YouTube, e outras comunidades online, documentando “como” e “com” que objectivo é que estes usam media digital.
Entitulado “Living and Learning With New Media“, o estudo articula o valor do Social Networking, mensagens de texto e outras formas de “new media”, melhor do que qualquer outro relatório que tenha visto com este objectivo.
O relatório tem um sumário de duas páginas, um paper de 30 páginas e um livro online com 12 capítulos intitulado “Hanging Out, Messing Around, Geeking Out: Living and Learning with New Media” (MIT Press will be offering a print version of the book soon).
“Pode ser uma surpresa para os pais saberem que o tempo que os filhos passam online não é tempo perdido,” diz Mizuko Ito da Universidade da California, investigador e um dos responsáveis pelo relatório. “Há mitos sobre o tempo que os adolescentes passam online - que é perigoso ou que os torna perigosos. Mas nós descobrimos que o tempo que passam online é essencial para que desenvolvam os conhecimentos técnicos e sociais que necessitam para se tornarem cidadãos competentes na era digital.”
O relatório mostra que:
- Ao participarem no online, os adolescentes navegam em mundos complexos, técnica e socialmente, onde desenvolvem os conhecimentos técnicos e sociais que necessitam para um participação plena na sociedade contemporânea;
- Os mundos sociais onde os adolescentes participam têm novos tipos de dinâmicas: o socializar online é permanente, público, envolve a gestão de redes elaboradas de amigos e conhecidos e está sempre “on”;
- Os adolescentes, mais do que os adultos, são altamente motivados pela aprendizagem com os membros das suas redes: a Internet fornece novos tipos de espaços públicos para os adolescentes interagirem e receberem feedback entre si, partilhando conhecimento e experiências;
- Por outro lado, a maior parte dos adolescentes não tira partido de todas as oportunidades de aprendizagem da Internet pois apenas exploram aspectos sociais e negligenciam outras oportunidades de aprendizagem, normalmente as menos populares no seu círculo de amigos e conhecidos online.
Nota pessoal (como todo o Blog, ok! :)):
O Social Networking e Digital Media trazem funcionalidades e novos ritmos mas, como quase tudo que é supostamente novo ou novidade, algum afastamento e senso comum faz-nos ver e perceber que mudam as perspectivas mas na essência, a forma como socializamos e aprendemos é uma característica humana e não tecnológica.
Se olharmos para trás, o “generation gap” tem estado sempre sempre presente. Seja com movimentos e momentos como o existencialismo Camusiano (Camus marcou-me mais do que Sartre), Verão de 68, “flower power”, Punk, Gótico, cinema, tecnologia, o principal desafio acaba por estar no factor “tempo” e “amplificação”. Hoje, criam-se “generation gaps” diferentes dentro da mesma geração e dado o excesso de informação, enquanto pais e educadores, temos um desafio maior que no passado: não nos deixarmos ultrapassar pelos vários “gaps”.
A grande parte das ferramentas sociais disponíveis no mundo online “amplificam” ou “aceleram” características de qualquer ferramenta social, nomeadamente o foco no que é “mais popular” no nosso círculo social.
Enquanto pais e educadores continuamos a ter os mesmos desafios de sempre: ajudar a encontrar os melhores espaços para o desenvolvimento de competências específicas, onde possam alargar as suas redes de conhecimento(s) com interesses comuns.
Ou seja: o nosso papel de sempre enquanto pais!



Concordo totalmente contigo! Vê o meu artigo que vai sair amanhã no Diário Económico…