Ainda 2008: um ano silenciosamente importante
Jan 23rd, 2009 by Vitor Magalhaes
2008 já lá vai. Já muito se escreveu sobre ele e… já é passado (o que torna este post ligeiramente… atrasado!). 
Apesar disto, ao ler uma nota do Edson Athayde no Facebook (”Esperança e canja de galinha“) sobre a neutralidade de 2008 resolvi fazer uma breve retrospectiva deste ano (atrasada, eu sei). A nota do Edson dizia:
“Rápido, parado, mexido, na mesma. Acho que 2008 vai ser lembrado como o ano em que nada foi resolvido, pouco foi melhorado, em que o planeta esteve onde sempre esteve, mas, como diria Galileu, no entanto moveu-se.
Será que vamos ter saudades de 2008?”
Sem pôr em causa o ponto de vista do Edson, acho que apesar de tudo 2008 foi aquilo a que chamo de um ano silenciosamente importante (pelo menos em parte do meu mundo, no online).
Depois de termos entrado em 2007 com o “YOU” como figura do ano anterior na capa da Times, sinto 2008 como “O” ano da Internet; o ano de consolidação em que senti a Internet madura e na fase em que se pode dizer: “Agora sim, está tudo a começar!”; um ano de “Tipping Point”. E isto, para mim que acompanho a Internet em Portugal desde o início (desde os tempos do PUUG - Portuguese Unix Users Group, primeiro ISP português), é relevante.
O que achei relevante em 2008:
- Massificação: Deixou de ser necessário explicar o que é a Internet. Apesar de muitos dos que a usam frequentemente não saberem exactamente o que é, usam-na! Sempre disse que quando as pessoas utilizassem a Internet como usam a electricidade, chegaríamos ao momento de maturidade. Estamos quase…
Prova disto: o meu filho de 8 anos passou a usar o Google Chrome e a minha mulher começou a usar o Last.FM, descobriu o Google Reader/News e passou a usar Gmail
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- Presença: Já não é aceitável que uma marca não esteja na Internet. Ter um site é o mínimo exigível a qualquer empresa. Nada de novo, mas em 2008 senti que muitas empresas começaram a perceber a necessidade de desenvolver uma estratégia online e parte dos departamentos de online deixaram de ser ilhas e passaram a estar integrados numa estratégia de gestão de canal transversal;
- Google: 10 anos! Só 10 anos e provavelmente algo que vai marcar a história deste século. Costumo brincar (a sério!) com o BG/AG - Before Google/After Google. O Google marca esta Nova Era. É impossível pensar em “Cultura Digital” e em “Nativos Digitais” sem pensar imediatamente no Google. E 2008, poderia ficar marcado só por estes “10″ anos. Mas mais do que os 10 anos, em 2008 o Google afirmou-se. Para além de se manter como “O” motor de pesquisa, continua a crescer mantendo o factor inovação. E aos poucos, conseguiu fazer o que outros tinham tentado sem sucesso: abalar o mundo Microsoft. Depois de liderar o mundo do “search”, a publicidade online, de criar comunidades de fãs com aplicações como o GMail, Reader, News, lança devagarinho o Google Docs, entra no mundo mobile com o Android, lança o Chrome (que é muito mais do que um Browser), sem alarido, define uma estratégia para o Social Networking com Google Friend Connect… um ano Googliano!
- Microsoft… pela negativa: acredito que 2008 tenha sido o ano do início da queda (ia escrever… “do fim”). O Vista correu mal, o Google domina a publicidade online e ataca o desktop, deslocando ferramentas de produtividade para a Web, o Windows Mobile perdeu o momento para concorrentes de peso (iPhone, Android, RIM e, mais recente, o renascido Palm), a Apple ganhou utilizadores vindos do Windows, o Zune não é sequer concorrente do iPod, a XBox, não bastasse a concorrência da PS2 e PS3, perde terreno para uma consola tecnicamente inferior (a Wii), o Linux ganha terreno como sistema operativo nos servidores, o IE perde quota de mercado, iniciam-se despedimentos, a mega campanha com Jerry Seinfeld e Bill Gates falha (ver Show Circus e New Family) e, pior, a marca Microsoft parece ter ganho uma crónica imagem negativa;
- iPhone: 2008 foi o ano do iPhone. Não só pela segunda geração e introdução do iPhone 3G, mas pelo que significa no verdadeiro arranque da Internet Móvel. Como crítica ao iPhone, ouvi um responsável de um dos principais fabricantes de telemóveis, dizer que o iPhone não era mais do que um telemóvel com Browser. A verdade é que isto é “muito” pois representa uma grande mudança de paradigma. Um telemóvel com máquina fotográfica, um Browser decente, RSS, aplicações como o Things (melhor GTD que conheço) o Evernote (aplicação de gestão de informação que ganhou os Crunchies), videocasts/podcasts (recomendo as Ted Talks e Pop!Techs), iPod, Twitter, etc…. é bom!
- Redes Sociais: o Facebook, apesar da pouca expressão que tem em Portugal, pelo menos comparativamente com o Hi5, chegou aos 150 milhões de utilizadores ( os números falam por si). O Google lançou o Google Friend Connect. O LinkedIn assume-se como rede empresarial. O Ning como plataforma de criação de comunidades próprias. Em Portugal, o Star Tracker teve o papel relevante de criar uma comunidade de talentos lusos;
- Twitter: 2008 foi um ano grande para o Twitter. O serviço que começou o ano com o estigma (real!) de ser pouco estável e estar sempre em baixo (a famosa baleia), não só “estabilizou” como ganhou imensa popularidade, saindo de uma comunidade “techie” para o “mainstream”. O Twitter transformou-se num novo meio onde as notícias (de qualquer tipo) são normalmente divulgadas antes de outros meios tradicionais. Desde os ataques terroristas no Mumbai ao conflito na faixa de Gaza, o Twitter transformou-se numa fonte vital de informação;
- Bolha 2.0: assistiu-se a uma nova bolha na Web. Novamente sem se perceberem os modelos de negócio, assistiu-se a investimentos significativos em StartUps Web. No entanto, acredito que desta vez esta bolha foi mais sustentada. Mesmo os projectos sem modelo financeiro à vista, têm activos relevantes (como o Twitter que tem uma comunidade gigante e participativa). Claro que esta bolha passou ao lado de Portugal que precisa de políticas de Capital de Risco adequadas à realidade actual; e basta seguir modelos como o da YCombinator.
Curiosidades de 2008:
- Trailer dos Thundercats: um dos grandes sucessos do ano no YouTube é o trailer de um filme que não existe. Alguém, algures, passou meses a editar o que seria o trailer do filme Thundercats, com Brad Pitt e Hugh Jackman;
- Top Ten viral video mix: novamente alguém, algures, seguramente com muito tempo nas mãos, compilou o Top 10 dos vídeos virais de 2008 e criou um “whopper” de 6 minutos. Tem Obama e tudo!
O que é que não aconteceu:
- O Magalhães: que se faça Marketing político… ok. Que, como diz Seth Godin, “Todos os Marketers são mentirosos”… ok. Mas, criar expectativas a crianças e não as cumprir… não! E foi isso que José Sócrates fez. É inadmissível que os Magalhães não tenham sido distribuídos até ao Natal.
E fora da Web?
- Barack Obama: Em Agosto de 2008 aceitou a nomeação Democrata para as eleições primárias nos EUA. A 4 de Novembro fez história, não só por ser o primeiro presidente Americano negro mas por representar a mudança e esperança no novo mundo. Obama tem carisma, é um lutador, um excelente orador e tem estofo de governante. O mundo inteiro criou expectativas elevadas. Espera-se é que se perceba que estas expectativas devem ser postas em todos nós e num “Yes, WE can!”;
- Subida do Petróleo/Combustíveis: talvez não tenha sido o melhor dos motivos mas a subida do preço dos combustíveis alertou muita gente e criou uma “nova” consciência ecológica;
- Sapatada a Bush: é quase simbólico mas ter acontecido que Bush tenha terminado o ano com uma sapatada… teve piada. A 14 de Dezembro, numa conferência em Baghdad, um reporter atirou não um, mas dois sapatos ao Presidente Bush e chama-lhe “cão”. Os sapatos falharam mas fizeram-me perceber de onde vinha a palavra “sapatada”
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- Ataques Israelitas em Gaza: a 28 de Dezembro, Israel lança ataques aéreos em Gaza. Depois de expirado o cessar fogo entre Israel e Hamas, o Hamas inicia ataques contra Israel. Israel retaliou com ataques aéreos que mataram mais de 300 pessoas. Irrita e chateia a passividade internacional do política e diplomaticamente correcto;
- Jogos Olímpicos: Sim, foram em 2008
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- Colapso do sistema financeiro e consequente crise: A “tal” marca negativa de 2008. É verdade que uma crise é sempre má. No entanto, acredito que esta crise, como quase todas, pode vir a ter um efeito reformador. Muitos negócios tradicionais instituídos vão desaparecer, perder dimensão ou ser obrigados a reinventarem-se. Os próximos modelos financeiros vão ser diferentes e vão estar adaptados ao “Long tail” e ao “grátis”. Os tempos de crise são sempre ricos em inovação. Quando bem aproveitados, são riquíssimos na capacidade de inovar e crescer.
Imaginemos, pela positiva, os tempos que aí vêm!



Para mim a personalidade do ano 2008 na web foi o Rick Astley.
Confesso que me esqueci do Rickrolling.
Obrigado por teres lembrado!