Last.FM… os novos dias da rádio
Feb 13th, 2009 by Vitor Magalhaes

O Last.FM, rádio e comunidade de música online, é um dos serviços que melhor ilustra o que é hoje a Internet e uma ideia que defendo há anos: a libertação do browser.
Isto pode parecer em contra-ciclo contra a actual corrente de “cloud computing” e aplicações no browser mas na verdade, não está. O que quero dizer é que é importante perceber que na Web a libertação do desktop não deve significar uma transferência de interface para o browser mas sim uma libertação total da Interface.
O que a Web 2.0 nos trouxe foi exactamente essa capacidade de abstrair dados e funcionalidades. Ao fazê-lo, a interface Web torna-se óbvia mas… não é exclusiva.
O Last.FM, enquanto serviço e aplicação, tem tudo: rede social, web, não web, aplicações desktop, móvel, interfaces para aplicações de terceiros, “long tail” e muito mais.
O “audioscrobbling” do Last.FM, alma do serviço, responsável por recolher informação sobre a música que ouvimos e a transferir para o Last.Fm para criação de perfis que permitem ao serviço sugerir músicas de acordo com os nossos gostos, é (quase) de domínio público. Qualquer aplicação o pode utilizar (hoje há plugins para Microsoft Media Player, iTunes, iPod/iPhone, Songbird, Amarok, etc.). E isto faz crescer a utilização, informação e potencial futuro.
Se quiser usar o Last.FM, claro que posso usar a aplicação Desktop. Mas posso aceder via Browser ou usar a minha aplicação de música preferida. Ou usar todas. E não fosse a miopia dos operadores móveis, o Last.FM seria um sério candidato a aplicação Internet móvel de eleição.
Para além da aplicação, o Last.FM e os modelos de negócio que vai desenvolvendo, foram crescendo devagarinho, sem pressas nem alaridos. E enquanto as Sonys, Warners, Universals, EMIs e BMGs da vida gritam contra o estado da indústria da música, contra o MP3, Bittorrents, eMule, e pirataria em geral, o Last.FM faz parte do que se desenha como futuro da Indústria da música e desenha um modelo de negócio assente na distribuição mas com uma perspectiva de “long tail”. Um futuro com menos intermediários e com os músicos mais próximos de quem os ouve.
Vai ser muito interessante assistir ao desenvolvimento destas novas aplicações e novos modelos de negócio, principalmente em áreas que se pensavam maduras.
Acredito no Last.FM desde o início. E acredito que o Last.FM é muito mais do que uma aplicação ou serviço musical, e vai redefinir o futuro da indústria musical.
Apontem que eu disse isto.












