Personal Branding 2.0
Jul 2nd, 2009 by Vitor Magalhaes

Em momentos de crise, ser “interessante” representa um activo valioso. As pessoas querem estar com quem é interessante; querem contratar quem é interessante; querem manter quem é interessante.
Por isto (na verdade… por muito mais) é importante tornarmo-nos… interessantes; é importante investir no “eu”; investir na “marca eu”.
Apesar de na maior parte das vezes não ter paciência para o fazer e de ser, por puro senso comum, o que aprendi resume-se a dois princípios:
Para ser interessante é preciso ser interessado. É importante encontrar o que há de interessante em tudo, aprender a reparar nas coisas, aprender a ouvir. Se acharmos que uma determinada pessoa (ou coisa) é interessante, é provável que ela retribua achando-nos igualmente interessantes.
As pessoas interessantes são boas a partilhar. (É este o princípio do Twitter!) Não podemos estar interessados em alguém que não nos diz nada. Ser bom a partilhar não é o mesmo que falar, falar e falar. Significa que partilhamos as nossas ideias, que deixamos as pessoas brincarem com elas e que somos bons a falar delas sem termos que falar de nós próprios.
Por tudo isto, não há uma forma de ser interessante. Há muitas. E muitas não envolvem tecnologia, Internet, redes sociais, nem Twitter. Envolvem atitude. Consciência. Clarividência. Trabalho.

Este post podia ficar por aqui. Mas como “trabalho” e “método” fazem parte de qualquer receita, partilho (cof! cof!) uma das muitas visões de como nos tornarmos “2.0 interessantes”:
- Tira uma foto diária (aprende a olhar). Publica-a no Flickr ou Picasa. Claro que obriga a andar sempre com uma câmara. Mas hoje… pode ser um telefone. O importante é que o acto de andar com uma câmara obrigar a ter um olhar atento para que se possa tirar “aquela” fotografia. Na verdade, o importante é aprender a olhar. Isto permite-nos percepcionar melhor o mundo. Mantém-nos ligados. Ao publicar a foto num site como Flickr, ou qualquer outro site, estamos a partilhar, em público e isso obriga-nos a pensar no que fotografamos;
- Começa um Blog, cria uma conta no Twitter e/ou Facebook (aprende a partilhar). Um passo simples. Basta uma frase por semana (na verdade, uma frase é pouco). Talvez uma frase por dia. O importante é começar. Depois de o fazermos, queremos dizer/escrever mais. Podemos criticar os conteúdos banais de um Blog, o tempo perdido no Twitter, a futilidade dos jogos do Facebook, mas no final, o importante é que ao começar passamos a estar atentos a mais coisas, passamos a procurar mais, passamos a registar mais e… passamos a estar mais ligados;
- Cria um bloco de notas (aprende a registar). Pode ser no PC. OneNote. Evernote. Email. Qualquer coisa. Pode mesmo ser em papel (tem um ar mais cool!). Quer queiramos quer não, há um encanto no analógico ligado ao conteúdo e cultura. Ter um Moleskine… ajuda e fica bem (eu tenho um mas confesso que… uso raramente);
- Todas as semanas, lê uma revista, ou blog, que nunca tenhas lido (aprende a aprender). Quantas pessoas “interessantes” é que conheces que apenas percebam muito sobre um assunto? Quando muito estas pessoas são “úteis” e não “interessantes”. As pessoas interessantes interessam-se por todo o tipo de coisas. E isso significa que exploram todo o tipo de assuntos, vão a sítios que não esperam gostar e quando chegam, descobrem o que é bom e interessante. As revistas e blogs são um bom ponto de partida;
- Colecciona alguma coisa (aprende a conhecer). Qualquer coisa. Sites. Vídeos. Fotos. Cheiros. Mas… torna-te um “esperto”. Especializa-te! Desenvolve uma paixão! Aprende como comunicar esta paixão sem medo (e sem as assustar! :)). Descobre outras pessoas que partilham a mesma paixão. Descobre como ser útil nessa comunidade. E… descobre como ser líder na tua tribo!
- Uma vez por semana, regista uma conversa de (ou com) outra pessoa (aprende a ouvir). Objectivo: aprender a ouvir. Descobre pequenas partes da vida dos outros. Percebe as suas preocupações e os seus padrões. Tira notas (subtilmente e sem dares nas vistas! Tenta não ser espancado :));
- Uma vez por semana escreve um mínimo de 50 palavras sobre qualquer coisa (aprende a partilhar 2). Artes plásticas, música, cinema, vídeo ou televisão. Qualquer coisa. Ter um ponto de vista sobre algum tema ajuda a desenvolver o pensamento criativo. Temas artísticos ajudam. É importante o saber expressar opiniões sobre assuntos que não dominamos. E isto melhora-se com a prática e partilhando o que escrevemos;
- Faz qualquer coisa (aprende a fazer). Constrói alguma coisa. Um desenho, Lego, Origami, bolos, um jantar especial, qualquer coisa. O mais importante é seres capaz de fazer alguma coisa que te permite alhear do dia a dia, sair da tua cabeça. Idealmente, faz alguma coisa que não faças a mínima ideia de como fazer. Assume que vais começar por fazer mal, por fazer asneira. Aprende a errar, a falhar e a aprender. As pessoas gostam de pessoas capazes de fazer coisas. Partilha o que fazes. Se te faltarem ideias, a Make Magazine é um bom ponto de partida;
- Lê. Lê e lê (aprende a aprender 2). Sempre. Muito. Tudo. Livros, jornais, revistas artigos. Vê o que os teus amigos e conhecidos em redes sociais estão a ler (o FaceBookShelf é um bom ponto de partida). De certo modo, todos os livros são interessantes por diferentes motivos. Principalmente ilustram exemplos de pessoas que se interessam por temas que muitos acham desinteressantes e que alguns se apaixonam;
- Aparece! (aprende a aparecer) Aparece o mais que puderes em conferências, inaugurações, lançamentos.
Já disse isto aqui no Blog mas, acho que o tema justifica a repetição:
“Quem não aparece, desaparece!”



Muito bom post! Dá que pensar se estou realmente a fazer aquilo que posso…
Eu não digo que o faço.
É um caso típico de “não olhes ao que eu faço mas sim ao que eu digo”
Vítor,
aprecio a tua honestidade… e o “eu não sou perfeito”…
No entanto, fico curiosa…
Porque não o fazes??!?!?
Eu vou ver o que ponho em prática, depois digo-te.
Pilar
É mesmo.. nas também existe por ai muito show-off!
É preciso estar atento para separar bem o trigo do joio
Relacionado com o assunto: Composing a Career and Life
Muito interessante. Confesso que nutro uma certa desadequação de valores com este mundo do \aparece para não desaparecer\… mas lá que é verdade que isso tem um preço a pagar, é. Mas há uma linha ténue entre ser genuíno e fazer show-off, entre o íntimo e o público. Isso leva a uma descoberta, antes de mais, de nós próprios. Dos nossos limites e interesses. Mas repito: tem razão no preço a pagar por não… existir (ou aparecer, que sempre é menos dramático
).
Bom post, adequado e enquadrado nos momentos de crise que vivemos. Para além diso, ressalta a importância do investimento no Marketing pessoal: é o retorno agora real da nossa participação pró-activa na Web 2.0
É a Engenharia Social, cada vez é mais importante estar no meio!
Bom Post, e este foi o blog que descobri hoje
Aliás, deram-me a descobrir.
O Tom Peters bem que vem pregando isso desde a “The Brand You”.
http://bit.ly/HL4Tg
http://www.fastcompany.com/magazine/10/brandyou.html
Numa época em que os recursos humanos são cada vez mais uma commodity, é essencial esta atitude.
Na verdade tenho uma opinião dividida em relação à “Engenharia Social”. Confesso que acho alguma piada ao conceito Web 2.0 mas não acho que tenha alguma coisa a ver com ser interessante, e nem sempre me apetece partilhar assim tanto com toda a gente, por muito politicamente incorrecto que isso seja. Ainda acho que o mais importante é fazer. Comunicar vem por si.
Também não gosto do nome - de certeza que foi roubado da revista Business 2.0.
Infelizmente há muita gente que só consegue mostrar, em perfeita comunicação 2.0 interactiva e em tempo real, o quanto é desinteressante, ou pior.
Como os Monty Python sabem dizer o mesmo com muito (mesmo muito) mais piada, aqui vai:
http://www.youtube.com/watch?v=xEYcJ1r9Buc
Este ditado é antigo, e agora com o advendo da internet e das redes sociais, não poderia estar mais correcto.
Abraço