Kindle surpresa
Oct 25th, 2009 by Vitor Magalhaes
O Kindle faz parte da famÃlia de produtos que mudam paradigmas e as regras do jogo. Neste caso, da distribuição editorial e do próprio livro. É o que se segue ao MP3; é o “EyePod” da literacia.
Permite guardar centenas de livros, jornais, feeds de RSS (incluindo todo o meu Google Reader), audiobooks e ouvir qualquer livro em Inglês (com sÃntese de voz).
A tecnologia de ePaper, permite-nos ler , sentados numa esplanada, praia ou piscina, com luz solar directa no ecrã, com contraste perfeito (ao contrário do ecrã do portátil)!
Se formos para fora em férias, a bateria dura cerca de duas semanas. Se acabar, a página actual mantêm-se no ecrã (o ePaper só consome energia para “imprimir” uma nova página).
Se de repente nos apetecer muito, muito, comprar “aquele” livro… está à distância de um Click. Ou quase.
“Quase” porque na verdade o Kindle é perfeito para quem está nos EUA. Não só pela possibilidade de podermos acordar de manhã e ter o jornal do dia (o Kindle permite actualizar conteúdos automaticamente via Internet através da “whispernet“… que só funciona nos EUA), de comprar um livro na Amazon em qualquer sÃtio, mas também pelo facto do Kindle DX continuar apenas disponÃvel no mercado Americano (o DX não é “extra large”! Tem o tamanho mÃnimo para ler um livro e para me obrigar a ler jornais em “landscape” e suporta PDFs).
Em Junho deste ano, antes de ir de férias, não resisti e comprei um Kindle DX.
Para o fazer tive que o comprar no eBay e  para comprar livros, tive que arranjar uma morada nos EUA, comprar na Amazon “Gift Certificates” com a minha conta real e oferecê-los a mim próprio, na minha conta Americana (algo que também já tinha feito no iTunes).
Não só estou totalmente rendido (o Kindle anda sempre comigo) como também para mim representa uma mudança de paradigma. Do meu lado analógico, já tinha desistido do vinil (apesar de manter a minha colecção de vinil e o meu Rega Planar 2… hoje só ouço MP3, last.fm e agora estou Spotificado). Falta-me o livro. Não vai ser já, mas é fácil perceber que as próximas gerações me vão retirar o prazer do papel. Basta pensar num eBook a cores, com mais memória e voilá! Lá se vão as estantes de livros, a colecção de Comics…
E acredito que isto não é mania de “early adopter”. Durante as férias, a maior dificuldade que tive com o Kindle foi poder usá-lo sem que mo pedissem emprestado (mesmo os mais avessos a gadgets).
Especula-se que o Kindle represente a salvação do mercado editorial e dos jornais. A verdade é que com margens de 70%, duvido que a Amazon esteja realmente a ajudar a indústria. E o mercado editorial, não me parece suficientemente ágil para perceber as formas óbvias de tirar partido do Kindle ou do eBook.
Não seria lógico que em vez de se vender uma assinatura na Amazon, se venda uma fidelização a 2 anos que inclua por 15 ou 20€ mensais o próprio Kindle? O modelo não está mais do que testado pelos operadores móveis na venda de telemóveis?













Estou seriamente interessado num Kindle (DX, btw), mas o preço dos livros é absurdo. Quando não há custos de distribuição, não percebo a tão pouca diferença de preços. Começa a parecer RIAA/MPAA “all over again”… Querem, gananciosamente, fazer o máximo de lucros no perÃodo de transição e nunca chegam a desenvolver um modelo de negócio sustentado.
Tal como acho que mais do que $5.99 (1CD) e $10-12.99 (2CDs) devia ser o preço base de albuns online, também acho que livros que, fisicamente, custam até $20 nunca deviam custar mais que $5 em formato ebook, e mesmo mais caros deveriam passar pouco dos $20. É uma questão de aritemética simples: quando se compra ebook, não se compra a “experiência” de ler o livro fÃsico, com a qualidade de papel, capa, impressão, etc… Para mim, essa experiência é uma componente essencial na decisão de comprar um livro. Eu não compro ebooks por essa mesma razão: sem essa experiência, não vale o preço que custam.
Tenho esperança que um Kindle me ofereça um pouco mais dessa experiência, mas ao preço da maior parte dos livros, custa-me a crer que fosse um aparelho que compensasse em termos de preço. Já em termos de “geekiness levels”… ^^,
Abraço.