Vodafone: Power to… who?
Nov 7th, 2009 by Vitor Magalhaes
Ao ver a nova assinatura da Vodafone (em parte pelo título do post anterior) dei por mim a pensar que alguma coisa falha nesta assinatura e veio-me à cabeça a imagem de um tipo de meia idade a dizer “Porreiro, pá!” para parecer “cool”, “jovem” e “sintonizado”.
A Vodafone mudou a assinatura de “viva o momento” (“Make the most of now”) para “power to you”. Com o “power to you”, afirma-se centrada no cliente e reforça a experiência Internet e multimédia, através da aposta no smartphone e no serviço Vodafone 360, um integrador de rede sociais com uma “app store” (efeito iTunes?) e que substitui o Vodafone Live (lançado em 2002).
O que é que falha? O “You”!
É que no contexto 2.0, o “poder” não está no “you”, não está na individualização mas sim no oposto, no democratizar, no ligar, no potenciar interligações. O “poder” está no “agora” e na “comunidade”. Na capacidade de potenciar a comunidade. No “crowdsourcing”. Ou seja, num sempre positivo “US”.
Este é o momento do… “Power to us”!













Boas,
Não pude deixar de reparar no erro que tiveste da tua interpretação do slogan deles, assim como possivelmente de tradução de Inglês.
O You, como deves saber, não representa apenas “tu”, mas sim também “vocês” ou “vós”.
Como tal, um “Power to us” faria sentido se fosse o cliente a dizê-lo e não a empresa.
Um “Power to you” fica espectacularmente bem pois “dão” o poder aos clientes, a “vocês”.
Quando vi o título do teu artigo, pensei que a Vodafone tinha (mais) um esquema qualquer para nos roubar (mais) dinheiro.
Cumprimentos
Viva,
Não é um erro de interpretação. O “You”, singular ou plural, tem uma “carga” individualista.
O que torna o contexto actual “disruptivo” não é o dar o poder a ninguém em particular. Nem mesmo aos clientes. O desafio está em fazer com que todos façam parte do processo. Clientes e empresa. Lado a lado. Daí o achar que o “us” seria muito mais apropriado e demonstraria uma percepção clara desta realidade e contexto.
De outro modo… é pura demagogia. Ok… chamem-lhe “comunicação”.
O brilhante “Connecting people” da Nokia, seguido do anterior, e igualmente brilhante, “Make the most of now” da Vodafone, mereciam um “Power to us… all!”.
Cumps
Percebo perfeitamente o que queres dizer, no entanto, acho que a sugestão que dás não favorecia de maneira alguma a imagem da empresa nem transmitia a ideia do slogan actual.
Acho que o slogan actual está bem e transmite a sua ideia exactamente como está. No máximo, um “Power to you all” ou “Power to everyone”, ou, para dar um ar de “hip”, “Power 2 Y’all”. Não ficaria melhor do que o que está, na minha opinião.
O que digo é que gostava de ver uma Vodafone a assumir o desafio de um “Power to us”. Claro que a comunicação teria que definir o “us” como comunidade, cliente e empresa.
Em termos de comunicação e posicionamento, isso sim, seria “disruptivo”. Apesar da imagem passada de “new kid on the block”, hoje a Vodafone sofre dos problemas de qualquer “old kid on the block”.
E a grande verdade é que o caminho que se propõe seguir, não só tem concorrentes directos com alguma vantagem (exemplo da O2 em Inglaterra) como vai ter como principal desafio facto de serem players como a Apple e Google a redefinirem as regras do jogo.
“O que digo é que gostava de ver uma Vodafone a assumir o desafio de um “Power to us”. Claro que a comunicação teria que definir o “us” como comunidade, cliente e empresa.”
Imagina as interpretações que os clientes fariam desse “slogan”…
Ao usar o “Power to you” não há grande margem para dúvida: é a empresa a falar para o(s) cliente(s). Com “Power to us”, seria a empresa a falar dela própria. Eu, como cliente, acharia estranho.
Percebo perfeitamente o que queres dizer com a tua sugestão, mas na prática simplesmente não funcionaria.
Um “Power to Us” seria sempre uma posição arrogante da empresa centrada nela própria. Muito dificilmente seria interpretado de outra forma.
Claro que seria arriscado. Muito, mesmo. E só poderia resultar se toda a comunicação explicasse o “us”. Se não o fizesse, claro que falharia. Mas porque “vida = risco”, é preciso arriscar:
http://www.youtube.com/watch?v=0yetHqWODp0