Google Music Search: will Google kill the iTunes star?
Nov 8th, 2009 by Vitor Magalhaes
Em Outubro a Hitwise publicou um relatório que estima que as pesquisas relacionadas com música representem cerca de 6% de todas as pesquisas do Google.
6% de todas as pesquisas do Google! É imenso!
A integração nos resultados destas pesquisas de conteúdo áudio que pode ser comprado online, representam um potencial de vendas gigantesco e tornam o Google num dos principais “players” do novo mercado da música.
Dito e feito. Apesar de já permitir pesquisas contextualizadas por música há muito tempo (bastava adicionar numa pesquisa o termo “music:”), a partir de agora o Google Music Search integra nos resultados de pesquisas (nos EUA - ver nota final) por artista, album ou música, a possibilidade de ouvir excertos, letras, ver videoclips, obter bibliografias de bandas, comprar online música ou bilhetes para concertos.
Como quase todos os lançamentos recentes do Google (ex.: Google Books, Google Voice, Google Social Search, etc.), as implicações para este mercado são imensas. Ao permitir que as compras online sejam feitas no iLike (comprado recentemente pelo MySpace) ou Lala, o Google torna-se numa gigantesca força de vendas para estes dois player. Implicações?
- Ameaça à liderança do iTunes
- Google Music Trends (Top Google?)
- MySpace: It’s alive!
- Ainda mais receitas
- Google Vídeo 2.0
Com a ajuda do iPod e iPhone, o iTunes da Apple tornou-se não só no principal destino para compra de música online mas também no barómetro do sucesso de músicas, artistas e albuns.
O iTunes representa cerca de 25% de todas as vendas de música no mercado Americano (online e offline). De acordo com a CNET, nas vendas online o iTunes lidera com 69%, seguido pela Amazon com 8%.
Mas o mercado da música está longe de ser estático e o iTunes está longe de ter uma quota de mercado segura. Para além da ameaça do “streaming” de novos players (como o Pandora, Last.fm e o recente e brilhante Spotify), a entrada do Google neste mercado não representa um produto novo nem mais um passo a dar para quem quer encontrar música. Pelo contrário, oferece a descoberta imediata de música de forma natural, sem pensar. A descoberta da música passa a estar naturalmente integrada na experiência de pesquisa, com os resultados principais a aparecerem no topo da página.
Ao permitir que as compras online sejam feitas no iLike e Lala, o Google acaba por ser responsável pela entrada destes players no impenetrável mercado do iTunes. Por sua vez, o iTunes não tem como contra-atacar, uma vez que não pode competir com o Google nas pesquisas.
Os Tops sempre foram importantes para o mercado da música. Se anteriormente era o Billboard top 100, hoje são (também) os Tops do iTunes.
O Google sempre mediu tendências (ver Google Trends). Se combinarmos os dados das 6% de pesquisas que o Google já tinha sobre música com o que os utilizadores “ouvem”, e o “que” e “quando” compram, temos dados que dão informação precisa sobre a indústria da música.
Facilmente podemos imaginar um extensão ao Google Trends que redefina o conceito de Top 100.

Depois de ter sido o principal concorrente do Facebook, o MySpace começava a ser comparado com uma espécie de Titanic do mundo online.
Apesar de se ter reposicionado como rede social centrada no universo da música, de ser o ponto de paragem de inúmeras bandas, de ter hoje um serviço de vídeo excelente e de ter um novo CEO, o tráfego do MySpace tem vindo a cair brutalmente (enquanto o Facebook cresce de dia para dia).
Depois de ter comprado o iLike para passar a ter a sua loja de música, o MySpace tem agora o Google como força de vendas e renasce como site de paragem para audiências relacionadas com a música. É caso para se dizer “Com a benção do Google!” ou um “In Google we trust!”.
O acordo feito com o iLike e Lala, é mais do que um acordo de “bons rapazes”. Claro que o Google tem como alvo a abater o Facebook (já o começou a fazer devagarinho com a sua estratégia subtil mas tentacular de redes sociais e agora favorece o antigo concorrente) e o iTunes tem uma dimensão… desconfortável.
Mas a verdade é que o Google ganha com cada venda efectuada e foi mais fácil negociar margens com o iLike e Lala do que seria com o iTunes. E quem compra uma música depois de uma pesquisa no Google, não quer saber a quem compra.
E o Google ainda reforça as receitas de publicidade num sector que ainda está habituado aos meios offline.
Dentro de dois a três anos, vai ser curioso olhar para as receitas geradas pelo Google no universo da música!
Pensem na satisfação de querer ouvir uma música de que nos lembramos parcialmente e de a encontrar em segundos. É o tipo de experiência que não pode ser intelectualizada. Trata-se de uma experiência emocional.
Agora imaginem a satisfação de qualquer consumidor quando o conteúdo de vídeo estiver disponível desta forma. Não é o YouTube. Não é o Hulu. É todo e qualquer vídeo, filme, videoclip, telejornal, entrevista, disponível à distância de uma pesquisa.
Pesquisar no Google é hoje parte do ecosistema da Internet. Se imaginarmos o que vai acontecer quando milhões de pessoas aprenderem a pesquisar música, o vídeo será uma extensão natural.
Uma extensão que o Google persegue há bastante tempo. Começou com o Google Vídeo, com acordos falhados com canais de televisão, com a compra do YouTube. E como o Google tem dimensão e cash-flow suficiente para ter paciência e esperar… é uma questão de tempo!
Nota: o resultados das pesquisas de música só apresentam a possibilidade de ouvir a música (e comprar) nos EUA. Para poderem “ver” os resultados completos de uma pesquisa, têm que usar um proxy Americano.
Nota 2: Há cerca de uma semana comentei no Twitter o Google Music Search. Não o fiz logo no Blog porque ultimamente parece que o Google é tema único. Ou ando demasiado atento ao Google ou o Google anda excessivamente activo (sinceramente, não acho que o Google ande activo mas sim… hiperactivo!)… até quando o estado de graça? Onde andam os senhores do anti-trust? Algo me diz que vai ser este o maior desafio do Google a curto prazo.












