Empreendedorismo e o factor sorte
Mar 18th, 2009 by Vitor Magalhaes
Em conversa com 2 amigos próximos, enquanto discutíamos o percurso BySide e os factores de sucesso do projecto, ambos referiram que entre tudo, em 2 ou 3 momentos chave, foi importante o factor sorte.
Fico sempre chocado quando ouço a referência ao “factor sorte” uma vez que o meu pragmatismo e racionalismo me impede sequer de ponderar a sorte ou azar como responsáveis pelo que obtemos (talvez isso justifique o nunca entrar em jogos de sorte).
Quantas vezes é que nos momentos mais críticos nos acontecem coisas importantes? Sorte? Ou apenas o esforço e focagem adicional em fazer acontecer?
Se ao fim de 8 ou mais meses de trabalho e persistência, atingimos uma meta, limitamo-nos a alcançar um objectivo; se quiserem: executar. A sorte não pode ser equacionada como responsável. Caso contrário, tudo seria justificável com a sorte e/ou azar (a crise económica actual teria sido um grande azar, fruto do também gigantesco azar do subprime nos EUA).
Imaginem o simples atravessar de uma rua. Objectivo: chegar ao outro lado. Depois de olharmos para ambos os lados, esperarmos pelo momento correcto, atravessamos. A meio paramos para deixar passar um carro em excesso de velocidade. Avançamos. Chegamos ao outro lado. Sorte? Ou apenas… atingimos o objectivo?
Sorte, seria fechar os olhos, correr para o outro lado sem ver e conseguir! Mas mesmo aí, não lhe chamo sorte, chamo: estupidez.



Não acho que o factor sorte seja crucial, mas pode ajudar.
Ex: Sorte de teres conhecido o Director da XPTO através de um amigo num jantar qualquer, e esta sorte ter-se traduzido num grande negócio para ti.
Também podes ter alguma sorte em conseguir formar uma equipa competente, já que todos sabemos que quem vê CV’s não vê propriamente “garantias” de bom trabalho.
Pode não ser decisiva a sorte, mas que ajuda lá isso ajuda…
Se conheceste o Director da XPTO através de um amigo num jantar é porque de algum modo cultivas o teu networking (tens amigos! :)) e vida social (experimenta ficar em casa e vê se isto acontece). Criar uma equipa competente, também não acontece por sorte. Há algo que nos leva a trabalhar e seleccionar determinado tipo de pessoas.
Apesar de tudo, as acções que desencadeamos são determinantes e consequentes. Desde o mais pequeno detalhe. Como alguém me disse, explicaria isto de uma forma mais científica se explica-se isto com a teoria do Caos mas acho que é mais simples do que isso: 10% de inspiração e 90% de transpiração!
Vitor, creio que compreendo o que queres dizer, até mais pelo teu comentário seguinte já que o post é mesmo um pouco reducionista.
Como és um homem pragmático, certamente ainda hás-de tentar racionalizar a sorte, o azar, a fortuna, o fado… nomes que as pessoas dão a forças que não entendem, mas que de facto existem e se manifestam.
Mas depois, dizem os velhos que já viveram mais do que nós, na verdade podes ficar no sofá que se tiver que acontecer, acontece mesmo. E vice-versa.
Acho que é tudo uma questão de sentires bem com as tuas acções, seja no sofá, no networking ou a atravessar a estrada de olhos fechados. E sim, de saberes responsável por elas.
Tenho mesmo de concordar com a malta da sorte. ha situações em que, “karmicamente” falando, parece que se junta a fome à vontade de comer. A sorte existe. É verdade também que se pode cultivar essa sorte e, mesmo sendo eu também um moço de índole racional, não posso deixar de retirar algum conforto da possibilidade da existência de felizes acasos.
Há que retirar algum peso dos ombros e a noção de sorte ajuda um pouco a aliviar no dia a dia.
Mantendo o meu (se calhar excessivo) racionalismo, sendo a sorte um acontecimento com probabilidade baixa, sim existe (pronto! :)). O meu ponto é que apesar de tudo, temos sempre que nos “mexer” de alguma forma para atingir resultados. Não acredito no “ficar no sofá” e acontecer na mesma. Se acontecer, provavelmente fizemos alguma coisa antes de ficar no sofá. E quando o fazemos com esforço, focagem e persistência, aumentamos a probabilidade de fazer acontecer. A isto, não chamo “sorte”.
Na minha adolescência tinha como (uma das) personagem favorita de Banda Desenhada o Corto Maltese (do fabuloso Hugo Pratt), que entre muitas outras particularidades tinha uma linha da vida (na palma da mão) muito curta e resolveu prolongá-la com uma faca.
Eu também gosto de acreditar que sou dono do meu destino.
Vítor,
Tu até podes dizer que és um racionalista mas não racionalizaste até ao fim. Se o racionalista que há em ti estivesse em controlo da situação ter-te-ia apontado os seguintes cenários que tu azadamente descuraste:
Quantas vezes te mexeste em que nada aconteceu? várias, certo? Então, se dessas vezes não ficaste no sofá e ainda assim foi como se tivesses ficado, não será possível imaginares uma situação limite em que, de todas as vezes que te mexeste nunca nada chegou a acontecer? Quando isso acontece uns chamam-lhe azar, outros injustiça.
Também é muito pouco racional dizer “não acredito no ficar no sofá e acontecer na mesma” porque sabes bem que é possível. O que tu querias dizer é que queres deixar as coisas nas mãos da sorte, mas isso é uma opção, porque tu sabes bem que tudo pode acontecer mesmo quando não se faz nada por isso. Quando isso acontece uns chamam-lhe sorte, outros injustiça.
Tu no que escreves pareces ignorar estas duas possibilidades bem reais.
É muito típico aqueles que se dizem racionalistas ignorarem uma parte da realidade para poderem dela explicar tudo.
Não disse nem estou a dizer, que não existe sorte, azar e injustiça.
À parte a racionalização dos conceitos, apenas disse, e volto a dizer (apesar de não precisar de tu dizer pois conheces-me bem) que não acredito no deixar as coisas “nas mãos da sorte”. Claro que muitas vezes me mexi imenso (novamente, tu sabes!) e nada aconteceu. Injustiça? Infelizmente para mim, não foi (seria mais fácil pensar que sim). Olhando para trás, consigo percepcionar imensos erros que foram responsáveis por não ter acontecido. Azar? Não creio. Foram só erros. Injustiça? Claro que não consigo deixar de achar que em parte sim mas isso não elimina os erros.
Para a próxima, prometo tentar não descurar. Neste post, não tive grande tempo.